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segunda-feira, 6 de junho de 2011

VALE DO LOIRE


Uma amiga, que ia viajar cinco dias entre Provence e Loire, queria saber quanto tempo deveria ficar em cada lugar. Sugeri esquecer a Provence e concentrar no Vale do Loire, que é lindo, Patrimônio Cultural da Unesco.

Em Paris, pegamos o metrô para a Gare Montparnasse e o trem para Tours. A passagem custa em torno de 40/45 euros. A viagem levou uma hora até St Pierre onde descemos (atenção, ninguém avisa). Em St Pierre pegamos a navette para Tours, leva 5 minutos. Não tínhamos reservado carro, o que foi ruim e ótimo. Na Gare de Tours a agência da Avis não tinha carro disponível. Assuntando aqui e ali, descobrimos uma agência micra na rua ao lado da Gare. O carro saiu MUITO mais barato.

Gare de Tours
Fizemos a reserva de hotel no Office de Tourisme, que fica em frente à Gare. Lá também compramos os ingressos para os Castelos. Eles nos aconselharam a ficar em Amboise, uma cidadezinha linda, e reservaram um hotelzinho bem simples, o Le Blason. Pelo jeito, a cidade estava lotada. Meia hora depois, margeando o rio Loire, estávamos em Amboise.

O Rio Loire tem 1000 km e é margeado por centenas de castelos. 

Hotel Le Blason
O nosso hotel não tinha nenhum luxo, mas era aconchegante; quarto pequeno, banheiro mínimo. O grande diferencial era a equipe, todos simpaticérrimos. Íamos ficar só uma noite, ficamos duas e foi pouco.

Tours é uma cidade grande. Amboise é um bibelô. Dali se vai a tudo de carro, a região é um espetáculo de bonita.

O primeiro castelo que visitamos foi o Chatêau de Chenonceau, conhecido como o "Chateau des Dames". Construído sobre o Rio Cher, em 1513, sua dona era Catherine Briçonnet. Mais tarde, já pertencente à Coroa da França, Henri II o deu de presente à amante, Diane de Poitiers. O que deixou a mau humorada Catherine de Médicis, sua esposa, bem irritada. Diane amava o lugar e dedicava especial atenção ao jardim. Quando Henri II morreu, em 1559, Catherine de Médicis tratou de expulsar Diane. Como não conseguiu fazê-lo legalmente, ela forçou a rival a trocar Chenonceau pelo Chateau Chaumont. Assim que Diane saiu, Catherine tornou Chenonceau a sua residência favorita e acrescentou o "Jardin de Catherine" ao "Jardin de Diane". Claro, Chenonceau só teve a ganhar com essa disputa.  Quando Catherine morreu, em 1589, o castelo ficou com sua nora, Louise de Lorraine-Vaudémont. Foi ali que Louise recebeu a notícia do assassinato do marido e caiu em profunda depressão. A partir desse dia, ela vagava pelos corredores sempre vestida de branco, e passou para a história como a "Rainha Branca". 

Séculos depois, o Chateau foi salvo da Revolução Francesa por outra mulher, Mme Dupin. 

Não há a menor dúvida: Chenonceau é feminino.

O ingresso custava em torno de 10 euros. Atravessamos uma alameda impressionante, ao fundo a visão deslumbrante do Chateau. Já na entrada a arquitetura se impõe e nos sentimos parte daquele mundo tão capa e espada. A cozinha, com as centenas de utensílios de cobre, reflete imagens do tempo presente.


Chateau de Chenonceau - foto do site oficial
A cozinha de Chenonceau
Quarto de Diana de Poitiers
Muitas mini-camas depois (os nobres tinham realmente baixa estatura), voltamos com calma para o jardim, e ali ganhamos um bom tempo visitando a “Fazenda do séc. XVI”. 

Fazenda do séc. XVI
Jardim de Chenonceau
 Pena que o tempo estava nublado...

Patisserie Bigot 
De volta a Amboise, jantamos no moderninho L´Scala: um assiette de fromage, saladas muito bem servidas e vinho. A sobremesa foi o delicioso sorvete do Anne de Bretagne, na rua principal.

Mercado em Amboise
Sorvete no Restaurante Anne de Bretagne
No segundo dia, depois de um café da manhã com chocolate quente e "pain raisin au chocolat" na boulangerie, partimos para o Chatêau de Chambord.

Chateau de Chambord
Chambord é o maior de todos, com seus 426 cômodos e 282 torres, mas não tem a delicadeza de Chenonceau. Enquanto em Chenonceau se tem a impressão de ouvir o farfalhar das grandes saias de damas enrubecidas, em Chambord chegamos a ouvir o galope da cavalaria voltando da batalha. 

Os jardins a perder de vista de Chambord
O castelo é altivo, os ambientes são amplos e frios, e do último andar se avista toda a sua potencialidade. Os jardins são igualmente enormes, mas não exalam à lavanda nem colorem o olhar com flores. 

Chambord é masculino.

Escultura em Chambord
O Chateau de Cheverny nos remete a outra época, um fin de siècle, com seus chás e caçadas elegantes. Em um lado do jardim encontramos o canil, com seus 50 beagles de porte aristocrático, ansiosos pela perseguição. 

Chateau de Cheverny
A matilha de Cheverny antes do almoço
Ainda hoje a família proprietária habita o palácio, reservando alguns ambientes para uso privado. 

Cheverny é galante.


Em todos os castelos vale pegar o audio guide para ouvir a história do lugar.


Em Amboise não deixe de visitar a Eglise Saint Denis, construída em 1107.

Painel  na Eglise Saint Denis
Jantamos "salmon demi cuit a l´huile" na Brasserie d´Hotel de Ville, e compramos queijos como o "chèvre moins dur" e o "reblochon" para tomar com o vinho da região. Delícia.

O último dia reservamos para o Chateau d´Amboise, bem no meio da cidade. 

Chateau d´Amboise
Vista de Amboise e do Loire
Dali se tem uma vista magnífica da região. É um castelo mais austero do que os outros, mas encantador. A capela é uma obra prima, onde está o túmulo de Leonardo Da Vinci. Ele viveu seus últimos anos em Amboise.

Logo depois saímos para Tours no nosso carrinho alugado. Almoçamos na praça perto da estação, demos uma volta na cidade, entregamos o carro, tomamos café na Gare e pegamos o trem de volta para Paris.

Nesse mesmo post, vou acrescentar o Chateau de Blois, que visitamos em outra viagem.

Blois é uma cidadezinha daquelas perdidas na imaginação. Fica entre Tours e Orleans.

Em Paris, acordamos cedo e fomos para a Gare Austerlitz pegar o trem. Duas horas depois, estávamos na Gare de Blois. 

Quando chegamos estava tudo fechado, inclusive o castelo. Decidimos andar pela cidade e descobri uma loja aberta, a Jacqueline Riu - que vendia umas camisetas lindas e super diferentes. Ela tem filial em Paris. Depois, insatisfeita, como sempre por toda a vida, com meu cabelo, não resisti ao ver um Jacques Dessange iluminado à minha frente. Entrei. E cortei o cabelo. Meu marido, como não quis esperar, saiu a flanar pelar ruas, fotografando tudo em volta para não se perder. Tal como um João, irmão de Maria, moderno. Meu filho preferiu ficar no salão, o que eu estranhei. Em dois minutos, ele roncava no sofá da recepção. Corajosa que sou, enfrento qualquer cabeleireiro aquém e além mar. Já cortei em Paris, pintei em Veneza, fiz unhas no Cairo, em Lisboa, digo que é uma experiência. Que nunca dá certo!
Saí do salão me achando linda. Dias depois, já em Paris, caiu a ficha...minha cabeça era um triângulo! Como bem definiu meu filho. 

Mas, ao visitar o Chateau de Blois, eu ainda balançava orgulhosa meu novo corte francês. 

O Chateau de Blois foi residência real oficial da França, o Rei Luis XII adorava ficar por ali e Catherine de Médicis também. É uma construção belíssima, que oferece um panorama da arquitetura francesa do século 17. Nele residiram 7 reis e 10 rainhas da França. Ali, em 1429, Joanna D´Arc recebeu a benção do Arcebispo de Reims antes de lutar contra os ingleses na Guerra dos 100 anos.  

Vale fazer tudo com calma, deixe a Provence, que é maravilhosa, para outra lua de mel.

Locadora em Tours: ACS location - 100, rue Edouard Vaillant. Tel: +33 (0) 247444507. Da gare dá para ir a pé. Nós pagamos incríveis 32 euros a díaria e 2,50 euros de seguro por dia. A Avis é mais do que o dobro. Alugamos por um dia e ligamos para avisar que íamos ficar mais.

Le Clos d´Amboise é, aparentemente, um hotel bem charmoso. 
27, Rue Rabelais. Fica bem localizado. +33 (0) 247301020 

OUTRAS ATRAÇÕES

Chateau d´Ussé - é conhecido como o Castelo da Bela Adormecida. Tem encenações de partes do conto de Charles Perrault. Entre as cidades de Tours e Saumur

Chateau Azay-le-Rideau - construção renascentista do começo do século 16. Fica a uns 50km de Amboise. Construído numa ilha do Indre, serviu de inspiração para o Chateau d´Ussé.

Chateau de Saché - ao lado de Azay-le-Rideau, foi ali que Balzac escreveu parte de sua Comédia Humana e O Pai Goriot. Atualmente, é o Museu Balzac.

Cathedral Saint-Gatien - em Tours - construída em 1186 pegou fogo e demorou 3 séculos para ser reconstruída.

Chateau de Candé - em Monts, 10km ao sul de Tours - construção do século 14. Foi ali que, em 1937, Edward Davis, o Duque de Windsor, se casou com Wallis Simpson, a americana divorciada que quase derrubou a monarquia inglesa.

Chateau d´Angers - construção do século 13 tem 17 torres com 30 metros de altura. Ali fica exposta a famosa Tapeçaria do Apocalipse. Originalmente a tapeçaria tinha 140 metros, mas depois da Revolução Francesa, só 100 metros resistiram. 

Monument CaféPara uma refeição rápida dentro do Chateau d´Angers.

Abadia de Fontevraud - uma das maiores cidades monásticas da Europa, dirigida por mulheres, foi fundada na virada do século 11 para o século 12. É ali que está a tumba de Ricardo Coração de Leão. Napoleão a transformou em prisão em 1804, hoje é um local de concertos e exposições

Cathedral Saint Croix - em Orleans.

Angles sur l´Anglin - visite as esculturas de 15 mil anos de idade de Roc aux Sorciers.

Vallé Troglodyte des Goupillières - vilarejo troglodita habitado por camponeses na Idade Média. Em Azay-le-Rideau. (troglodytedesgoupillieres.fr)

Rochemenier - perto da cidade de Samur - é uma aldeia troglodita (casas construídas dentro de rochas na virada do século 19 para o século 20)

ONDE COMER:

Poitiers - na cidade das mil igrejas o restaurante Les Archives fica dentro de uma igreja.

Les Hautes Roches - restaurante de cozinha bretã com uma estrela no Michelin.

L´Orangerie - restaurante do Chateau de Chenonceau. Tem um bufê self-service e uma creperie.

ONDE FICAR:

Chateau de Nazelles - tem quartos aconchegantes, piscina e jardim. Diárias a mais ou menos 115 euros. Amboise.

Chateau de Noirieux - instalado dentro das terras do Loire, este hotel de charme está instalado em um palacete com 19 suítes. Diárias a ± 150€

Domaine des Hauts de Loire - fica a 20km de Blois. Tem um restaurante com 2 estrelas no Michelin e quartos confortáveis. Em torno de 250 euros/dia.

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