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sábado, 8 de setembro de 2012

VENEZA, romance sobre as águas.

Quando resolvemos passar uma temporada em Veneza, tudo o que eu queria era apresentar a cidade mais romântica da Europa para o meu filho. Foi complicado, ele tinha aulas no período, tivemos que remarcar toda a viagem, mas enfim, passagem comprada para todos, lá fomos, eu e meu marido, desbravando o caminho para a chegada do herdeiro. 
Depois de duas semanas em Paris, voamos para Veneza pela Air France. Menos de duas horas de vôo e estávamos no Aeroporto Marco Polo, na parte continental da cidade. 
O ônibus que sai do aeroporto atravessa a quilométrica Via Libertá (uma ponte) e leva o passageiro até a rodoviária, na Piazzale Roma por 3 euros. São mais ou menos 15km. Na Piazza, ao tomar o vaporetto, começa a aventura sobre as águas.

Veneza e a Via Libertá
O Vaporetto, um "barco ônibus" é o transporte mais usado na cidade, mas a passagem não é nada barata, 6,50 euros. Existem passes por períodos, o de 12h custava 16 euros. Como os ônibus, o Vaporetto tem várias Fermatas (paradas) ao longo do percurso no Canal Grande. Preste atenção na direção que você vai tomar. Talvez você tenha que caminhar um pouco, já que em Veneza não há transporte terrestre. A gente anda. Muito.

Vaporetto saindo da Fermata Rialto
Desde então, sempre que ouço alguma mala sendo puxada, sinto saudades de Veneza. As rodinhas das malas  rolando no chão de cimento e pedra com seu ruído característico fazem parte da música da cidade.
Nosso apartamento ficava na Fermata (parada) San Tomá, muito bem localizado. E foi uma surpresa! Do lado de fora, um prédio secular em restauro. Dentro, uma decoração moderna, ar condicionado e super charmoso! Fomos recepcionados pela Emi, uma senhora elegante, com espertos olhos azuis, que trouxe pãezinhos, vinho e bombons!

A recepção
O calor era respeitável. Saimos para uma caminhada até a Piazza San Tomá, onde fica a Tratoria San Tomá e almoçamos uma bela pizza de gorgonzola acompanhada de vinho italiano, claro, água e tiramisú de sobremesa. A conta para os dois foi 42 euros.

Em plena Copa do Mundo de 2010, os italianos, sangue quente, se reuniam nas praças, cafés e restaurantes para ver os jogos. Uma festa deliciosa!

Assistindo ao jogo da Copa 2010
San Polo, onde estávamos, fica do outro lado do canal. Para atravessar para San Marco, tínhamos que cruzar a ponte do Rialto. A Ponte do Rialto, sobre o Canal Grande, é visitada por turistas do universo inteiro brigando por uma foto. Em pedra, com uma única arcada, foi inaugurada em 1591 e hoje é cercada de lojas pelos dois lados Não tínhamos a menor pressa, as férias apenas começavam. Deixamos os turistas se estapeando e fomos flanar deliciosamente por Veneza.

Ponte do Rialto
À procura de um lugar gostosinho para jantar, perguntamos à vendedora de uma loja se conhecia algum restaurante assim, assim. Conhecia. E nos deu uma dica preciosa!

Al Fontego dei Pescatori é o restaurante do presidente da associação do mercado de peixe, pescador, lógico. E o peixe é o mais fresco possível! Só que não escolhi peixe, sei lá porque, apostei no risoto de aspargos. Pois até hoje, a memória daquele prato não me sai da cabeça. Meu marido diz que vivo em busca do risoto perdido. Que coisa deliciosa!!!

Atum do Al Fontego dei Pescatori
Tiramisú do Al Fontego dei Pescatori
A garçonete conhecia o Brasil, já viveu por aqui. Foi ultra gentil, nos colocou em uma mesa no jardim, mesmo sem reserva. Sugeriu um vinho bárbaro e a noite foi completa ao luar de Veneza. Detalhe, só cobraram o que bebemos do vinho... Cannaregio 3726, Calle Priuli (vizinho à Fermata Ca d´Oro). Pode ligar para reservar, eles falam portugues - tel: 041 5200538. Fecha às segundas. A Calle Priuli é mais conhecida como Calle de la Racheta (?). Ou Sttoportego del Tagiapiera, 3711.

Al Fontego dei Pescatori
Para atravessar o canal de um lado a outro, você pode usar o vaporetto, ou pegar uma gôndola "táxi". São vários pontos para pegar o "traghetto", gôndolas que só fazem a travessia de um lado a outro, com vários passageiros ao custo de 1 euro cada. É uma maneira rápida, fácil, de andar de gôndola sem pagar os cerca de 100 euros que os gondoleiros pedem por menos de uma hora de passeio. Não é muito romântico, mas é bem prático.

Traghetto
Os noivos e a daminha também vão de traghetto
Trânsito no Canal Grande
A Piazza San Marco, na beira da Lagoa, é o cartão postal de Veneza. Ali está a exuberante Basílica de San Marco, o Campanille, o Palácio dos Doges e, logo adiante, a Ponte dos Suspiros. É o coração de Veneza!

Piazza San Marco vista do vaporetto - Campanille, Palácio dos Doges à direita
e a Basílica de San Marco ao fundo
Eu adoro sentar no Florian, o café mais antigo da cidade, inaugurado em 1720. Com o quarteto de músicos tocando embaixo das arcadas que circundam a praça, tomar um prosecco e apreciar toda a elegância da Piazza é puro deleite.

Os músicos do Florian
Em torno da Piazza San Marco, sob as arcadas, vários restaurantes, lojas, cafés fervilham em burburinho constante. A Pignaton é uma boutique que vende marcas de costureiros famosos numa seleção de bom gosto.

O Café Lavenna é parente mais jovem do Florian. Fundado em 1750 também transborda em tradição. Piazza San Marco 133.

Show do Café Lavenna
O Harry´s Bar é famoso pela sua clientela que, desde a fundação em 1931, faz a diferença. Toscanini, Chaplin, Orson Welles, Peggy Guggenheim, Truman Capote, eram alguns dos frequentadores. Sem falar em Ernest Hemingway que ali se instalou para escrever alguns de seus livros. Atenção: eles não permitem fotografar o interior para não incomodar os outros clientes. Calle Vallaresso 1323.

Há tanto tempo viajando, era absolutamente urgente a ida a um cabeleireiro! Todos os dias, no caminho entre nossa casa e o vaporetto, passávamos pelo Trolese. Um dia, resolvi entrar. Fui super bem atendida, pintei, lavei, fiz escova e quase, quase, pedi para cortar. Lembrei de Blois, quando minha cabeça virou um triângulo, e segurei o impulso! A beauté saiu por 65 euros. 2876 San Polo. Tel: 041 5231065. 

Enquanto eu me esbaldava na tinta no Trolese, meu marido foi ao Ca´Rezzonico, sede do Museo del Settecento, construído a partir de 1649. Com sua fachada em mármore branco voltada para a Lagoa, é um dos palácios mais bonitos da cidade. Fondamenta Rezzonico 3136. Dorsoduro.

Com os cabelos esvoaçando, voltei a flanar, agora mais confiante! Na Igreja de San Maurizio vimos a exposição de instrumentos da época de Vivaldi. 

Caminhando, chegamos ao Teatro La Fenice, o mais importante da cidade, fundado em 1792. Da outra vez que lá estivemos, assistimos a ópera Macbeth. A bela montagem tinha como cenário um paredão que dividia o palco ao meio. Em certo momento, enquanto a diva gorgeava sua ária, o paredão, em grande efeito para o final dos anos 80, começou a girar. O efeito seria lindo se o vestido da cantora não tivesse ficado preso ao paredão. Sem saída, ela começou a girar junto e o pobre coitado do tenor se esforçava para despregar a saia do cenário. Impagável. Sem contar que, como estávamos sentados na galeria, víamos toda a movimentação do alçapão, inclusive o elenco agachado esperando para entrar em cena. Foi realmente divertido. Em 1996, o teatro pegou fogo novamente (a primeira destruição foi em 1837), ficou fechado anos para restauração e voltou a maravilhar o público com toda a sua elegância, em 2003. A visita é paga e custa 8,50 euros por pessoa com direito a audioguide. Em certo momento, fomos surpreendidos por uma bela música. Num camarote aberto, bem em frente ao palco, alguns turistas se extasiavam, em absoluto silêncio, ouvindo a orquestra ensaiar a récita da noite. Sentados ali mal acreditamos na sorte que tivemos. www.festfenice.com. Campo San Fantin 1965.

Não sei qual era o protesto, mas eles têm toda razão.
Teatro La Fenice
A Epicentro é uma loja que reúne coisas para casa com design interessante. San Marco 1729. 

O Café "Al Ponte del Lovo", fundado em 1750, conhecido como "La bottega del café", nos atraiu pela decoração intocada há séculos e pelo cheirinho malemolente de café italiano com bolo. O chocolate quente é uma delícia. San Marco 4819. Vaporetto: Rialto.

Almoçamos na Tratoria da Silvio. Peça para sentar no agradabilíssimo jardim onde se come um prato de massa bem gostosinho.  Dorsoduro 3747

Para comprar petiscos, vinho, e outras coisinhas para levar para o apartamento, sempre íamos ao supermercado Billa. Existem vários pela cidade. 

A Coin é, eu acho, a única loja de departamentos de Veneza. Tem de tudo a bom preço, coisas para casa, roupas para a família inteira e objetos divertidos. Cannaregio 5788

Kelemata é uma lojinha que lembra e muito o nosso Boticário. Encontrei por acaso, na Strada Nuova.

A Tratoria Pasqualigo com suas mesinhas na beira da calçada não tem uma comida excepcional, mas é super bem localizada e fica aberta sem interrupção. Para uma saladinha caprese e só. Cannaregio 2288

Descobri uma loja de sapatos no Cannaregio que adorei, a Vladi. Lindos, diferentes, e, ainda bem que não tinham minha numeração, senão as malas voltariam lotadas só de sandálias italianas. O preço girava em torno de 100 euros o par. Também na Strada Nuova, entre a Fernata San Marcuolo e a Fermata Ca d´Oro. Cannaregio, 2340 ou San Polo 247/248 (Rialto). www.vladishoes.it

Na Pelletteria Veneta comprei por 30 euros a sandália rasteirinha mais macia do mundo. Pena que só percebi muito depois, senão teria comprado de todas as cores! Cannaregio, 1815 A. 

La Scuola Grande San Rocco nos surpreendeu pela quantidade de obras maravilhosas como "Il Cristo Morto", de Bellini, "L´Annunciazione", de Tiziano e a norme coleção de Tintoretto. O ingresso fica em torno de 7 euros. Suba a imponente escadaria e olhe para o teto, é deslumbrante!!! San Polo, 3052. Campo San Rocco.

Scuola San Rocco
Dali, resolvemos visitar a Academia. No caminho nos deparamos com uma fantástica loja de máscaras. Ok, existem milhares espalhadas pela cidade, todas com a mesma cara. Eu já estava enjoada das máscaras venezianas até encontrar a "Casin dei Nobili". Calle Lombardo. Dorsoduro, 277B.

Casin dei Nobilli - máscaras lindas de super bom gosto
Fundada em 1750, como escola de pintura, arquitetura e escultura, L´Accademia acolhe maravilhas como pinturas de Tintoretto, Tiziano, Carpaccio, Tiepollo, Le Brun, Da Vinci, Veronese e outras obras primas. O ingresso custa 14 euros, mas menores de 18 anos e maiores de 65 anos têm entrada gratuita.  Campo de la Caritá 1050, Dorsoduro. Vaporeto: Fermata Accademia. http://www.gallerieaccademia.org

No caminho de volta da L´Accademia passei por uma lojinha hiper graciosa, a Annelie. As bolsinhas de veludo bordadas são tão delicadas que dá vontade de levar todas (e mais as sandálias, onde eu vou parar?). As pashiminas estampadas, cada uma mais linda do que a outra, e os lenços de seda são irresistíveis, assim como os preços. O bom gosto é tanto que ela vende vestidinhos de renda brancos lindos, pasmem, feitos no nosso nordeste!!! Calle Lunga. San Barnaba, Dorsoduro, 2748.

Cannaregio é um bairro residencial que está cheio de lojinhas, mercados, e onde os venezianos fazem as suas compras. 

Meu marido ficou fã de um "mercado" chamado "Formaggi", onde ele encontrou uma variedade enorme de queijos e vinhos italianos. Fica na saída do vaporetto, na Fondamenta Nuove. Cannaregio, 4685. 

Logo depois da loja de queijos, na esquina, uma loja vende suéteres e coletes masculinos a ótimo preço. Meu marido comprou um colete de lã a 29 euros. 

Um padaria quase em frente à Fermata Ca d´Oro, na Strada Nuova, vende pães maravilhosos de vários sabores. 

Enfim, chegou o tão ansiado dia da chegada do meu filho. Acostumado a viajar pela Europa, ele não tinha nenhum entusiasmo por conhecer Veneza, preferia ter ido a Roma. Achava que ir a Veneza era como vir ao Brasil e ir a Resende sem conhecer o Rio de Janeiro. Ao desembarcar no aeroporto sua expressão era de "o que tem isso de mais?". Ao entrar no ônibus ATVO para a Piazzale Roma e percorrer o caminho até a "ilha", a mesma cara de enfado. Seus olhos começaram a se abrir quando entramos no vaporetto. E a brilhar quando entramos no Canal Grande. Logo o Iphone saiu do bolso e se transformou em câmera. Logo os amigos no Brasil começavam a receber imagens da cidade mais linda e mais romântica do planeta. A curiosidade em relação a tudo nos encantou. Sim, a ambulância era barco; sim, o trator era barco; sim, o táxi é barco; não, não tem carros; sim, todos andam a pé. Era o que eu e meu marido esperávamos: surpreendê-lo.

Ambulância
Veneza
Tradição e modernidade
A Feira
À noite
Dispostos a dar um tratamento de choque, levamos nosso filho para almoçar no Zattere, no restaurante La piscina, à beira da Lagoa, em frente a ilha de Giudecca. O dia ensolarado, a brisa marinha, a paisagem única, o calor ideal, deixavam o spaghetti ao vongole e o risoto de frutos do mar ainda mais saborosos. O vinho branco Pinot Grigio era um acompanhante perfeito. Com sobremesa, água, coca cola para o garoto, couvert e paisagem, o almoço saiu a menos de 90 euros. Peça para sentar em uma das mesas sobre o mar. Zattere. Dorsoduro, 782.

No dia seguinte à chegada do nosso filho, os vaporettos entraram em greve. Não nos abalou muito, é uma delícia caminhar pelas ruas estreitas de Veneza, embora, em Julho, o sol castigue um bocado. A cidade não tem muitas árvores, o que deixa tudo mais abafado. Continuando o tratamento de choque, fomos para a Piazza San Marco.

Na Piazza San Marco, além da beleza da própria em si, o que não é pouco, estão os mais emblemáticos monumentos de Veneza. Visitamos primeiro a Basílica de San Marco. Encaramos a fila.

Apesar do calor senegalesco, os religiosos não perdoam; não se pode entrar de braços nus na igreja. Minha camiseta regata não foi aceita e meus ombros despudorados receberam uma deselegante capinha vermelha fornecida na entrada.  A visita é determinada pelos guias, aqui pode, vira ali, segue aqui, um pouco cansativo, mas o interior da igreja é deslumbrante. O retábulo é a famosa Pala d´Oro, um trabalho em metal bizantino de 1105. A basílica, em arquitetura bizantina, foi consagrada a San Marco em 1094 e seus famosos mosaicos retratam a vida do santo e do novo e velho testamento. Os maravilhosos Cavalos de San Marco, troféus de guerra da Quarta Cruzada, em Constantinopla, estão na igreja desde 1254 e, acredita-se, que faziam parte do Arco de Trajano. Atualmente, os originais estão expostos dentro da basílica, os que decoram a fachada são cópias perfeitas. Do terraço (ingresso pago à parte) pode-se admirar toda a beleza da Piazza de San Marco e da Lagoa de Veneza.

Pala d´Oro
Cavalos de San Marco
A atual construção do Palazzo Ducale ou Palazzo del Doge, bem ao lado da Basílica, foi terminada em 1424. O local, residência oficial dos Doges (governantes), desde o século 9, também sofreu com alguns incêndios e foi destinado a museu em 1923. Na Sala del Maggior Consiglio, a principal do prédio, se encontra a maior pintura em tela do mundo, "Paraíso", de Tintoretto. O corpo principal do palácio, em estilo gótico veneziano, é todo em mármore branco. 

A Ponte dei Sospiri liga o Palácio dos Doges à Prigioni Nuova, o primeiro edifício construído para ser exclusivamente prisão. A Ponte levou esse nome porque os condenados atravessavam do Palácio, sede dos tribunais, à Prigioni suspirando por ver, pela última vez, a Lagoa. Ao fazer o mesmo trajeto também suspiramos ao ver tanta beleza.

Na Piazza também está a Torre del Orologio, erguida sobre a principal rua comercial de Veneza, a Merceria. Seu relógio, inaugurado em 1499, era considerado o mais pontual do mundo e todos os venezianos acertavam seus relógios por ele. No terraço, abaixo das estátuas dos dois mouros que tocam o sino, está o símbolo maior de Veneza, o leão alado, à frente do painel azul estrelado e com o livro de São João Evangelista pousado sob a pata dianteira. Abaixo do leão, as imagens do Anjo Gabriel seguido pelos Reis Magos, entram e saem duas vezes ao ano, no Dia de Reis e na Ascenção. O relógio astronômico no andar inferior informa as horas, o signo do zoodíaco e as fases da lua. Conta a lenda que os construtores do relógio tiveram os olhos arrancados para nunca reproduzir outro igual.

Torre del Orlogio vista do terraço de San Marco
Subindo ao Campanille, a construção mais alta da cidade, que servia para orientar os viajantes, se tem uma visão espetacular da cidade. Se você chegar cedo na Piazza, vai ver a cerimônia do hasteamento da bandeira, que termina sob o som dos sinos do Campanille. Aliás, os sinos tocam a cada meia hora, o que nos pegou em cheio lá no alto. 

Palazzo del Doge à sombra do Campanille
Vista do Campanille sobre a Lagoa
Na Calle Merceria você vai encontrar várias lojas de grifes como Furla e Massimo Dutti, que eu adoro, até a Igreja del Salvador. 

Nesse dia, jantamos na Tratoria Donna Onesta que, finalmente, encontramos aberta depois de várias tentativas. Filet de peixe, tortelline a la panna e prosciuto, spaghetti a bolognesa, vinho rosso, sprite, água e serviço a 72 euros para 3. Dorsoduro, 3922.

Adicionar legenda
Amiga dos principais artistas da primeira metade do século XX, Peggy Guggenheim era filha do milionário Benjamin Guggenheim e dona de uma coleção de arte invejável. Em 1948, Peggy exibiu sua coleção na Bienal de Veneza. A Europa via, pela primeira vez, as obras dos americanos Pollock, Rothko e Gorki. Logo depois, encantada com a cidade, comprou o Palazzo Venier dei Leoni, no Canal Grande, onde passou a viver.

Palazzo Venier dei Leoni (foto site oficial)
Em 1951, Peggy abriu sua espetacular coleção para o público. Ela faleceu em 1979, aos 81 anos, e suas cinzas foram depositadas num cantinho do jardim do Palazzo, ao lado das cinzas dos cachorros que ela tanto amava. Não deixe de visitar a Peggy Guggenheim Collection, você vai se encantar tanto quanto nós com as obras de Picasso, Magritte, Paul Klee, Man Ray, Mondrian, Miró, Chagall, Kandinsky, Max Ernst, Modiglianni, Calder, Duchamp, de Chirico, Léger, e ainda as exposições temporárias. Quando lá estivemos, vimos os Neo Impressionistas, obras de Signac, Pissarro e ainda Bauhaus e Rodchenko. Dorsoduro, 701.

Almoçamos uma bela pizza na Tratoria Da Sandro. Segundo o Tripadvisor é uma das pizzas mais gostosas da cidade. San Polo 1473/1411/1412

À noite, levamos nosso filho para saborear as delícias do "Al Fontego dei Pescatori". Ele adorou o risoto de aspargos! Para os três, pagamos 130 euros.

O Centro Servizi del Gelatiere tem tudo para cozinha, centenas de formas Silikomart inclusive. Santa Croce, 1866.

A L´Occitane Italia fica em San Marco, 230/790. 

Na Via XXII Marzo ficam as lojas dos mais badalados nomes da moda italiana: Gucci, Versace, Valentino, Prada, Ferragamo, Bulgari, Fendi e ainda outros. 

A Osteria Al Ponte, em frente de casa, foi o restaurante escolhido para a noite. Jantamos super bem, salada, penne al pesto, fettina al ferri (carne), gnocchi 4 formaggi, coca, água litro, vinho Chardonnay Doc Grave, e pagamos 62 euros para os três. Calle dei Saoneri. San Polo, 2741.

No dia seguinte, almoçamos no Ristorante "Alla Borsa", San Marco, 2018, em plena Piazza com vista para o Canal Grande onde acontecia a Festa del Redentore. A proximidade da Piazza e a vista do Canal aumentaram o preço. Por 2 gnocchis, 1 tagliolini, prosecco, água, 2 cocas e 1 tiramisú, pagamos 135 euros.

Ristorante Alla Borsa
A Festa del Redentore comemora o fim da peste que assolou a cidade entre os anos de 1575 a 1577 e provocou a morte de mais de um terço da população. A festa, no dia da fundação da Igreja do Redentor, no sábado que precede o terceiro domingo de julho, reúne embarcações de todos os tipos. É uma folia naval! Música, dança, e um montão de gente apreciando na beira da Lagoa, em frente a Piazza San Marco. A festa dura toda a noite, mas como íamos viajar no dia seguinte bem cedo, assistimos um pouco e fomos para casa.

Festa del Redentore
Na manhã da nossa partida, Veneza amanheceu aos prantos! Chorava copiosamente. Arrastamos nossas malas pelas ruas molhadas e entramos no Vaporetto lotado de foliões exaustos de tanta comemoração. 
Para nós, era como se fosse Quarta Feira de Cinzas...

COMO CHEGAR:

A ATVO é uma das companhias de ônibus que faz o trajeto Aeroporto Marco Polo/Piazzalle Roma. A passagem custa 3 euros e você paga no próprio ônibus. Cuidado para não pegar o ônibus laranja que custa menos, mas não tem ar condicionado nem bagageiro. 
Na Piazzalle Roma você vai pegar o vaporetto direção Lido. É melhor saber com antecedência qual a Fermata mais próxima do seu destino.
Se for passar poucos dias e tiver muita bagagem, deixe no Deposito Bagagli do aeroporto. Fica no Térreo. Cada mala custa em torno de 6 euros por dia, de qualquer tamanho.

ONDE COMPRAR:

Spezieria all´Ercole d´Oro - vende mais de 50 aromas inspirados em receitas do séc. XVI em embalagens lindas. Strada Nova, Cannaregio 2233. Tel: 39 041 720 600.

Roberta di Camerino - essa Roberta é neta da famosa designer de bolsas e é quem comanda o showroom escondido atrás de um pátio fechado. L´Atelier di Palazzo Loredan Grifalconi, Cannaregio 6359. www.robertadicamerino.com

Giovanna Zanella - atelier de calçados exclusivos e caros. Castello San Lio, Calle Carminati 5641. www.giovannazanella.it


ONDE COMER:

Vino Vino - Ponte delle Veste 2007 A (perto do teatro La Fenice)

Osteria Al Ponte  (La Patatina) - Cannaregio 6378.

La Zucca   - pequenino, meio vegetariano. Santa Croce Calle del Tintor, Sestiere Santa Croce, 1762

Vini da Pinto - Sestiere San Polo, 367.

Al Ponte del Megio - com vista para o Canal Grande. Santa Croce, 1666. 

Lorenzo Gastronomia - eles tem o iogurte Fage. Calle dei Fabri, Sestiere San Marco 4666.

Osteria Vivaldi - ótimo para almoço. Calle della Madonnetta.

Becafico - restaurante popular bem avaliado no Tripadvisor. San Marco, 2801. Campo San Stefano.

Cantina do Mori - excelente para os famosos cichetti (tapas) e vinho desde 1462. Sestiere San Polo, 429. Entradas pela Calle Galiazza e Calle do Mori.

Tratoria alla Madonna - preço justo em pratos típicos venezianos. San Polo, 594. Calle della Madonna.

Osteria Antico Giardinetto - frutos do mar num restaurante gostosinho com jardim. San Marco Calle dei Morti, 2253. Santa Croce.

Osteria Da Fiore - considerado um dos melhores restaurantes de Veneza. San Polo Calle del Scaleter.

Alla Vedova (oficialmente o nome é Tratoria Ca d´Oro) é uma das "bacari" (tabernas) mais antigas de Veneza, famosa pelos "polpetti" (almôndegas) servidos no balcão com uma bela taça de vinho. Strada Nuova. Calle del Pistor. Cannaregio, 3912. Vaporetto 1 - Fermata Ca d´Oro, sentido Lido. 

Os "Bacaros" são tabernas onde se toma um bom vinho com degustação de tapas (cichetti) em pé no balcão. A maioria também tem algumas mesas, geralmente lotadas, chegue cedo ou reserve. 

Ristorante Al Covo - só a fachada já dá vontade de entrar, e ainda é recomendado por vários críticos. Castello, 3968.

Pasticceria Nobile - fundada em 1902 faz sobremesas venezianas assadas no local. Cannaregio, 1818.

Lojinhas de guloseimas se espalham pela cidade.
PASSEIOS:

Ilha de Murano - é uma celebridade. Todo mundo que vai a Veneza tira uma tarde ou manhã para ir a Murano ver os famosos cristais. Na primeira vez que estivemos na ilha, entramos, meio sem querer, numa fábrica e assistimos a fabricação do vidro conversando com os artesãos. Hoje, eles cobram o ingresso; você senta ao lado de outros turistas para ver os artesãos soprando e dando forma ao vidro (geralmente um cavalinho). Perdeu um pouco a graça e espontaneidade, mas vale a pena, é lindo! Meu marido e meu filho ficaram horas apreciando o trabalho ao lado da quentura dos fornos.
São centenas de lojas espalhadas ao longo da ilha vendendo todo tipo de artesanato em vidro e cristal. Eu gostei especialmente dos objetos da loja Cesare Toffolo. Fondamenta Vetrai, 67A.  De Veneza a Murano são 10 minutos no Vaporetto que sai da Fondamenta Nove.

Soprando o vidro em Murano
Cavalinho pronto!
Ilha de Burano - todo mundo fala de Murano, mas a minha predileta é a ilha de Burano. Com um casario colorido, restaurantes, bares, centenas de barquinhos, gente pelas ruas, é uma delícia e super alegre. Ande pela cidade e aproveite para fazer algumas compras. Na charmosa L´estrosa comprei pashminas lindas. Na primeira visita, antes do nosso filho chegar, almoçamos na tratoria "Al raspo de va", nada especial. Ao confundir calamares com camarões, pedimos um prato que dava para um batalhão. Acho que fiquei mais de um ano sem poder ver uma lulinha sequer à frente. Quando voltamos com nosso filho, almoçamos num restaurante super agradável, o Rivarosa, e aproveitamos para tomar um "spritz", bebida típica de Veneza. Pegue o Vaporetto para Ca d´Oro depois caminhe até a Fondamenta Nove de onde sai o Vaporetto LN para Burano. A viagem leva 40 minutos.

Ilha de Burano
Bordadeira em Burano
Restaurante em Burano
Onde ficar:

Para alugar um apartamento procure nos sites:
airbnb.com
windu.com

Durante a nossa longa temporada em Veneza, tiramos alguns dias para ir a PRAGA, post " Praga, a velha senhora é uma pin-up", FLORENÇA e TOSCANA e ASOLO. 

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