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domingo, 8 de julho de 2012

PRAGA, A VELHA SENHORA É UMA PIN UP!

Passando uma temporada em Veneza, resolvemos tirar quatro dias para ir a Praga, a "Pérola do Oriente", a "Cidade das Cem Cúpulas", ou, como definiu Goethe, a "Jóia de Pedra". A capital da República Checa, patrimônio histórico da humanidade da UNESCO, é dona de um dos mais conservados conjuntos arquitetônicos da Europa. Já tínhamos ouvido falar maravilhas da cidade,  famosa também por ser um dos maiores centros culturais da Europa, onde, de quatro em quatro anos, acontece a Quadrienal de Praga, evento mundial de arte cenográfica. Estávamos curiosíssimos.

Pegamos o vôo da Czeck Airlines, num avião que nos fez rezar antes do embarque - Se Zeus quisesse chegaríamos inteiros! Todos os passageiros atônitos diante das hélices, sim, hélices, e do microscópico avião. Bobagem, em menos de duas horas desembarcávamos elogiando a segurança e cortesia!

Visual da janela do avião da Czeck Airlines
Do aeroporto Ruzyné até o hotel, em Malá Strana, eram 15 km. O táxi cobrou 28 euros. 

O hotel, indicação do Tourist Information do aeroporto, era o Best Western Kampa, muito bem localizado, com diárias a incríveis 70 euros para o casal. O quarto era bastante confortável, o banheiro pequeno, com um bom banho, limpíssimo, super café da manhã no salão decorado com motivos medievais. 

Quarto do Best Western Kampa.
O Rio Vltava (Moldava) divide Praga em duas; de um lado fica Malá Strana, onde está localizado o Castelo, e do outro, Stare Mesto, a cidade velha, onde fica a badaladérrima Praça Central. Entre elas, a Ponte Carlos.

Deixamos as malas e fomos flanar.

Nada melhor do que flanar em Praga!

Praga é uma cidade que conserva sua identidade, ao contrário das grandes capitais onde todas as lojas se parecem, todas as pessoas se vestem iguais, e grandes lojas de departamentos e shoppings ocupam as ruas, templos de consumo. Em Praga, a globalização chega a passos lentos, eles não tem a mínima pressa de se igualar aos parceiros do continente, ou aos gringos e seus self services. O tcheco é a língua oficial, e nem todos falam inglês. Muitos cardápios são intraduzíveis! Herança dos tempos do comunismo, acredito.

Placa na frente de um Café.
Todos os caminhos nos levaram à Ponte Carlos, uma das mais lindas do mundo, a mais antiga da cidade, com 500 metros de comprimento e 10 de largura. 
Inaugurada no início do século 15, era o único meio de ligação entre a Cidade Velha e o Castelo de Praga até 1841. Ao longo da ponte, 30 estátuas, de santos e patronos, em estilo barroco, observam os turistas desde então. 

Vista do Castelo desde a Ponte Carlos
Levamos um bom tempo apreciando a beleza das esculturas, das torres, dos arcos, da paisagem incrivelmente serena, dos trabalhos exibidos pelos artesãos, até chegar ao outro lado. 

One Man Show na Ponte Carlos
Já na Cidade Velha, o lindo dia de sol sugeria um almoço à beira rio. 

O Klub Lavka é um restaurante perfeito para dias de verão. Por uma salada, um salmão, 4 chops e pão, pagamos 28 euros. Novotného Lávka 201/1
Para nós, que vínhamos de Veneza, uma das cidades mais caras da Europa, Praga se mostrava muito amigável!

Andar pela Cidade Velha é como mergulhar no passado; as ruas estreitas, prédios e casas maravilhosamente preservadas,  nos faz acreditar que, a qualquer momento, vamos esbarrar em Rilke  ou Kafka levando seus originais, ou em Mucha transportando telas e pincéis





Encontro de amigas à beira rio.
As ruas e vielas sinuosas desembocam na Praça Central, onde a cidade pulsa. Ali, no prédio da Prefeitura Velha, está o espetacular Orloj, um relógio astronômico medieval, que atrai todos os olhares quando os "12 apóstolos" saem de uma abertura na torre para anunciar a hora exata. Conta a lenda que o relojoeiro que o construiu, em 1410, foi cegado para nunca construir outro igual. 

Orloj. Note que são 20h45 e está dia claro!
Era o auge do verão, julho, ano de Copa do Mundo, e ali, gente de todas as idades, turistas, curiosos,  circulavam felizes, em meio a palcos onde shows aconteciam dia e noite. Telões enormes transmitiam os jogos mais importantes. Uma festa!

Turistas se divertem na Praça Central
Nos embrenhamos pelas redondezas e...nos perdemos, claro!
Praga é o melhor lugar no mundo para alguém se perder. A cada esquina, uma surpresa. Os prédios, e casas, são rica e delicadamente decorados. Preste atenção!




À noite, procuramos um restaurante perto do hotel, também à beira rio, e ficamos ali, tomando uma célebre cerveja tcheca e desdenhando do tempo. 

No segundo dia, fomos de tram para Mustek. O objetivo era conhecer a Torre da Pólvora. Em Mustek, lojas com Sephora e H&M trazem à lembrança a Europa globalizada. Não fique triste, os preços são ótimos!

Erramos de torre. Entramos na primeira que vimos, fotografamos tudo, e depois descobrimos que não era a que procurávamos. Até hoje, não sei que torre era aquela.
Com o mapa na mão numa esquina qualquer, e a providencial ajuda de um cidadão penalizado com a nossa situação, localizamos a Torre da Pólvora e a Casa Municipal.

A Torre da Pólvora, ou Portão da Pólvora, foi construída no século 15 em estilo neogótico e era conhecida como Torre Nova. No século 17, ao ser utilizada como paiol, foi rebatizada com o nome que é conhecida até hoje. Do alto dos seus 186 degraus, se tem uma vista linda da cidade. 2,70 euros. Namasti Republiky, 5.

Ao lado da Torre da Pólvora está a Casa Municipal, um belo edifício em estilo Art Nouveau que é, ao mesmo tempo, centro cultural e centro de convenções. Dentro, você encontra restaurantes e cafés elegantes.

Torre da Pólvora e Casa Municipal
Restaurante da Casa Municipal
Almoçamos no restaurante Kamenny Stul, na Praça Central, nem tão elegante assim. Torcedores urravam a cada passe no jogo Brasil e Holanda. Infelizmente, a Holanda levou essa, 2 a 1 para a laranjinha.

A poucos metros da Praça, a loja Jackpot tem roupas super charmosas, elegantes, cheias de estilo e a preços bem simpáticos. Camisetas, casaquinhos de lã, calças, e ainda tax free! Celetná 34 e Na Prikope 13.

A cidade é tão romântica que não resistimos a um passeio de charrete. Ali mesmo, na Praça, elas ficam estacionadas esperando para levar os turistas para uma volta de menos de uma hora a 25 euros. Depois você vai descobrir que poderia ter feito o mesmo percurso a pé, mas sem tanto charme. 

Charretes na Praça Central. A nossa foi a de trás. O condutor não falava uma palavra de inglês!
O condutor, vestido à caráter, nos levou até o bairro judeu, o Josefov, onde estão seis das mais antigas sinagogas da Europa, e o cemitério mais populoso do leste europeu, ao Klementinum Rudolfinum, sede da orquestra filarmônica tcheca, a Praça Marianke, onde fica a Nova Prefeitura e até a rua mais chique, a Pariska, onde estão as lojas da Dior, Louis Vuitton, Ferré, Burberry, entre outras tentações. 

Sinagoga e turistas incansáveis.

Klementinum Rudolfinum
Se você não é muito fã dos sacolejos da charrete, a opção é contratar um passeio de carro pela cidade. Não um carro qualquer, são modelos antigos, um luxo!

Os carros antigos circulam pela cidade à espera de passageiros 



Não, não me enganei, não estamos em Cuba. É Praga!
Na Blue, uma lojinha bem mais afável do que as da Pariska, você encontra presentes para toda a família sem perder a cabeça ou esvaziar a carteira. São várias por toda a cidade.

A Manufaktura, de coisas para casa, é uma perdição! Ao abrir a mala, já em casa, me deparei com um penico azul de ágata! Karlova, 223/26 e Melantrichova 970/17, entre outros endereços na cidade.

As lojas de doces e guloseimas, as padarias, os cafés, são famosos pela qualidade, esqueça o regime.



Café e padaria
Cheios de sacolas, sentamos para jantar na varanda do Hotel U Prince, uma delícia! No meio da Malé Namesti, dá para ficar apreciando todo o movimento das ruas. Pedimos vinho chardonnay, águas, 1 prato de queijos, mini ravioli. A conta foi 46 euros! Staromestske Namesti, 59.

Você pode ir a Roma e não ver o Papa, mas não dá para ir a Praga sem ver o Menino Jesus de Praga!
E lá fomos nós. Andando, que é o melhor meio de transporte em Praga. No meio do caminho, uma loja de coisas para casa chamou nossa atenção, a Potten & Pannen. Újezd 25, Malá Strana.

cook design
Potten & Pannen (foto do site oficial)
Ao lado da Potenn & Pannen, o restaurante Noi tem fama internacional em thai food. Újezd 35, Malá Strana.

A Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, onde está o Menino Jesus fica em Malá Strana, a uma caminhadinha do nosso hotel, na Karmelitská 385/9.  A Karmelitská é a continuação da Újezd. Cuidado, quase passamos pela igreja sem notar. Não tem a menor ostentação, nem a menor indicação. Já o Menino....

Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa

Achou o Menino? Ele está neste altar!
 A fama não é pelo tamanho, o Menino é miúdo, quase soterrado em tanta gola e capa. São 47 centímetros em cera, com o cerne em madeira, adorados por milhões de peregrinos que vão prestar homenagens e agradecer graças alcançadas. O guarda-roupa não tem nada de infantil, são dezenas de capas hiper ornamentadas, golas de arminho, babados, camisolas bordadas, oferendas ricamente executadas talvez na esperança de um milagre maior. 

Um dos looks do Menino Jesus
Como todo mundo, compramos medalhinhas, e imagens de louça para presentear. Para nossa surpresa, uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida se destacava no altar ao lado.

Nossa Senhora da Aparecida passeando em Praga.
Depois da visita à igreja, andamos mais um pouco pela Karmelitská até a praça Malostranské namestí, pegamos o tram, atravessamos a ponte, saltamos em frente ao Klementinum Rudolfinum e caminhamos pelo  Josefov, o bairro judeu.  Andamos pela Pariska, no mesmo trajeto da charrete. 
Almoçamos no Restaurante U Prince. Sim, de novo! Você pode escolher entre ficar no restaurante tradicional, dentro do Hotel, no terraço com um visual lindo, ou na ilha na parte externa.

Dali, pegamos o tram sem destino, à beira rio. Na volta, descemos em frente ao Teatro Nacional, outra monumental construção, de 1868, e atravessamos de volta para Malá Strana. 
Era hora de pegar o barco para fazer o passeio pelo rio. 

O passeio pelo Vatvla dura 50 minutos e é uma delícia. São vários pontos de embarque ao longo do rio.



Barco de turismo passando pela Ponte Carlos.
O Rio Vltava centraliza as atenções do turista. Ali, se pode andar de pedalinho, pegar sol numa ilhota, caminhar ao largo, ou, simplesmente, sentar em dos muitos restaurantes e bares e apreciar, com toda a tranquilidade que a cidade emana, a paisagem única e delicada. Esqueça o stress. Praga, ao contrário de outras capitais, não tem pressa.


Se, em vez de andar de pedalinho, você gosta de aventuras mais radicais, que tal um vôo de balão?

Vôo de balão
Embaixo da Ponte Carlos, em Mala Strana, meio escondidos, ficam vários restaurantes e lojinhas. Ali, descobrimos o Museu Kafka.

Museu Kafka e as esculturas que fazem xixi.
Voltando na direção do hotel, um restaurante chamou nossa atenção, o Dvorak. Super gostoso, com mesinhas na calçada de uma ruazinha de pedestres. Na Kampé, 3. 

Varanda do Dvorak e rua de pedestres com exposição sobre Praga.
A Noite demora a chegar no verão; generosa com seu parceiro de jornada, deixa o Sol brilhar por horas a mais. Depois, como uma dama galante, atrasa a entrada na festa, só para deixar os admiradores extasiados com sua beleza. 

Noite
O Castelo de Praga, do século 9, imponente, no alto da colina Hradcany, onde a cidade foi fundada, é o prédio mais importante, e  o maior castelo do mundo. Hoje é residência presidencial. Na verdade, o conjunto forma uma pequena cidade; ali também fica a Catedral de São Vito, a Capela de São Venceslau, o Palácio Real, a Igreja de San George e uma Torre da Pólvora. Outro lugar do complexo, que merece a visita, é a Zlata Ulicka, a pequena vila medieval onde ficavam as casas dos artesãos e militares que guardavam o castelo. Construída no século 16, até hoje conserva a mesma arquitetura.  No número 22 residiu o escritor Franz Kafka. Hradcany Praga, 1. www.hrad.cz.

Vista da cidade desde o Castelo
O Leste Europeu se rende à Barbie.

A Catedral de São Vito é a maior igreja da República Checa, sua construção foi iniciada em 1344 e finalizada quase 600 anos depois. Ali, reis foram coroados, cremados, e enterrados. A Capela de São Venceslau tem as paredes cobertas por mais de 1000 pedras semi-preciosas. 

Catedral de São Vito
Catedral de São Vito - Túmulo de São João Nepomuceno em prata

Antes de sair do complexo do Castelo, visite a Galeria de Arte e os Jardins!

O restaurante MLYNY, nome impronunciável, comida fantástica, fica à beira do rio ao lado do Museum Kampa. Pedimos a entrada de foie gras, truta, frango, 4 cervejas, 1 sobremesa inexplicável com framboesa e creamcheese que explode quente na boca, nem é bom lembrar... e café. A conta foi 43 euros! U Sovovych mlynú 503/2. 

A sobremesa inesquecível do MNYLY
Se você gosta de arte moderna, não deixe de ir ao Museum Kampa. Sovovych mlynú 503/2. www.museumkampa.com

Obra no pátio interno do Museu Kampa
Esculturas em volta do Museu Kampa.
Museum Kampa
Por toda a cidade você vai encontrar espetáculos do Teatro Negro, uma encenação famosa internacionalmente, lúdica, que mistura dança, música e pantomima. Se nunca assistiu a um, compre logo o ingresso. 
E na cidade dos marionetes, os bonecos são levados à sério. Vale assistir a um teatro de Marionetes

Teatro de Marionetes
Teatro Negro (foto dreamguides.edreams.pt)
Marionete é coisa séria.
Também lojas de marionetes se espalham por todos os bairros. 

Marionete (foto praga turismo)
Praga é uma cidade musical. Além dos espetáculos no Teatro Nacional, no Rudolfinum e na Ópera, nos meses de verão, igrejas e sinagogas promovem concertos e recitais.  
Por onde se anda, ecoam acordes de todos as notas. Moradores colocam mesas e cadeiras nas calçadas, à beira do rio, vizinhos levam vinho, queijos e instrumentos, e a noite está ganha, para todos, os músicos e os turistas, os locais e os forasteiros, completamente envolvidos pela magia do momento e do lugar. 

Moradores se reúnem para tocar e cantar.
Na última noite, reservamos um show de jazz. 
O lugar era pitoresco, uma espécie de balsa envidraçada, ancorada à beira rio. Mas o show não correspondeu, muita dissonância para o meu gosto. Não ficamos até o fim, saímos no intervalo. Jazz Dock - www.jazzdock.cz. Consulte a programação.

Jazz Dock - Jazz & Blues Bar & Café (foto site oficial)
E voltamos caminhando pela noite fresca, ouvindo, ao longe, a música de violinos e violões, com a lua vaidosa se admirando nas águas do Vltava. Puro romance numa cidade que é só sedução. 
Assim é Praga. 

MAIS MÚSICA:

Teatro Nacional - Ostrovni 225/1 - Nové Mesto
Jazz Club - Hotel U Stare Paní 
Jazz Club Reduta - Naródni 20
Metropolitan Club - Jungmannova 14

ONDE FICAR:

Hotel Four Seasons - mais sofisticado. Veleslavinova 2a/1098
Hotel U Prince - Staromestske Namesti, 59

ONDE COMER:

Beer Museum - em Staré Mesto. Dlouhá, 720. Doses de cerveja entre 1,27E e 2,50E. 
Cervejaria U Fleku - com mesinhas no jardim e tocadores de acordeon, serve uma espetacular cerveja preta a 2,28E a caneca grande.

PASSEAR:

Teatro dos Estados - onde Don Giovanni estreou sob a batuta do genial Mozart em 1787 e onde foi filmado o ótimo Amadeus. Ovocny, 1. www.estatestheatre.cz.
Arena Éden - campo do Slavia Praga, o principal time da cidade. Vladivostocká, 1460. www.slavia.cz.

ONDE COMPRAR:

Rua Karlova - cheia de lojinhas de cristais, marionetes e souvenirs.


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